Resiliência também é uma inteligência de gestão

Resiliência também é uma inteligência de gestão

A Accenture publicou o estudo “Resilience Redefined: From readiness to reinvention”, no qual analisa como a resiliência empresarial deixou de ser uma capacidade de proteção contra crises e passou a ser uma competência de reinvenção. O relatório parte do contexto: nos últimos cinco anos, empresas enfrentaram pandemia, guerras, rupturas em cadeias de suprimentos, instabilidade econômica, riscos geopolíticos e mudanças regulatórias. Nesse cenário, a volatilidade deixou de ser episódica e passou a fazer parte da estrutura do ambiente de negócios.

O estudo utiliza o Accenture Resilience Index, um benchmark global com mais de 1.600 empresas, que avalia a posição das organizações em relação aos seus pares de setor. O índice considera dimensões como força financeira, comercial, operacional, tecnológica, de pessoas e sustentabilidade. Embora o indicador geral de resiliência tenha retornado aos níveis mais altos desde a pandemia, a Accenture mostra que esse dado agregado esconde vulnerabilidades relevantes.

Um dos principais achados é o aumento da distância entre empresas mais e menos resilientes. O relatório aponta que empresas altamente resilientes crescem receita 6 pontos percentuais acima das menos resilientes e apresentam margens de lucro 8 pontos percentuais maiores. Em simulações de choques severos, 60% das empresas no quartil superior do índice alcançaram ganhos de lucro, contra 21% das empresas no quartil inferior.

Outro ponto importante é a fragmentação da resiliência. A Accenture mostra que muitas empresas avançam em tecnologia e sustentabilidade, enquanto mantêm vulnerabilidades em pessoas e operações. O relatório destaca que empresas estão alocando três vezes mais orçamento de IA generativa em tecnologia do que em pessoas, o que pode limitar a capacidade de interpretar, aplicar e escalar essas ferramentas. Segundo o estudo, organizações que fortalecem talento e tecnologia ao mesmo tempo são quatro vezes mais propensas a alcançar crescimento lucrativo de longo prazo.

A pesquisa também indica que a resiliência operacional passou a depender menos de grandes estruturas globais e mais de flexibilidade para reagir a mudanças. Em um ambiente de tarifas, fragmentação comercial e riscos climáticos, a capacidade de redirecionar cadeias, ajustar produção, reconfigurar parcerias e tomar decisões em tempo real ganha peso estratégico. O estudo mostra que empresas fortes em resiliência de pessoas e operações alcançam uma vantagem de 6,2 pontos percentuais em margem de lucro em relação às organizações mais frágeis nessas duas dimensões.

Resiliência aparece no relatório como capacidade de adaptação, aprendizagem e reinvenção. Sua organização está concentrando investimentos em tecnologia e eficiência, ou também está desenvolvendo as inteligências humanas, operacionais e estratégicas necessárias para transformar instabilidade em capacidade de adaptação?

Acesse o estudo completo - Uma nova definição de resiliência: Da prontidão à reinvenção: https://www.accenture.com/content/dam/accenture/final/accenture-com/document-3/Accenture-Resilience-Redefined-From-Readiness-to-Reinvention.pdf#zoom=40